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[ENTREVISTA] Marconi Rezende



Aos 44 anos o cantor coleciona pelo Brasil participaes em festivais e parceiras musicais por toda a cidade de So Lus. Comeou na msica por acaso, sonhava em ser skatista profissional, mas foi forado a desistir da carreira aps um acidente. Autodidata, iniciou os acordes no violo do pai e desde ento no parou mais.

Atualmente faz parte do elenco de Joo do Vale O Musical e nos deu uma entrevista para falar sobre a experincia no musical.

1. Voc sempre quis ser msico ou tinha outra opo profissional?
Aos 17 anos meu sonho era ser skatista profissional, mas sofri um acidente e fiquei desacordado durante algumas horas e isso gerou certa preocupao da minha famlia. Eu mesmo tinha me assustado bastante com a situao ento desisti do esporte e fiquei sem ter o que fazer.
Certo dia eu vi o violo do meu pai no canto da sala, peguei e comecei a tocar. Hoje percebo que naquele momento surgiu o interesse pela msica. Alm disso, na escola eu tinha alguns amigos que tambm gostavam muito de MPB e trocvamos informaes sobre isso. Graas a isso aos meus 19 anos de idade j tinha cerca de 50 msicas no meu repertrio.
Eu lembro que nessa poca nos amos para a avenida Litornea para tocar no bar Deus e Mar, quase ningum o frequentava, ento aquele lugar era propicio para um momento entre amigos.
Em trs semanas ramos 50 pessoas, com um ms de apresentao pulamos para 200. Quando percebi isso fiquei meio amedrontado porque no era cantor profissional e era muito tmido, mas o dono do bar me chamou, me falou sobre o meu talento e me ofereceu cach. Ento aceitei! No havia na minha cabea planos de ser msico profissional, mas essas ocorrncias me fizeram chegar at aqui.

2. J se arriscou escrever alguma cano?
Sim. Quando eu tinha 21 anos de idade fiz uma cano chamada Menino de Engenho e essa msica entrou no festival Canta Nordeste, produzido pela rede Globo. J quando eu estava com 23 anos eu fiz outra msica e ganhei o festival do Sesc em primeiro lugar. Foi atravs desse festival que fui para o Paran e em seguida So Paulo e Rio de Janeiro. No Rio eu morei durante vrios anos produzindo msicas.

3. Voc lembra como foi o seu primeiro show?
Eu no lembro o meu primeiro show, mas um show que me marca muito o do Clube do Chico. O clube era uma brincadeira com alguns amigos em que nos reunamos para cantar, um cantava Caetano Veloso, outro Vinicius e eu cantava Chico. Com eu j tinha muita msica do Chico Buarque no meu repertrio decidi fazer um show s com msicas dele. Eu devia ter 22 anos quando fiz esse show no bar Terra Brasilis. Foi emocionante.

4. Desde quando voc tem essa simpatia pela obra de Chico Buarque?
Eu lembro que um amigo me emprestou os vinis de Chico Buarque para ouvir e logo que ouvi o primeiro disco fiquei deslumbrado, pensava: Poxa, esse cara no era uma! (risos).
Passei madrugadas ouvindo as msicas dele e pensando que era esse trabalho com letras maravilhosas e melodias incrveis que eu quero para minha vida.
muito difcil falar uma cano dele que me marque, eu toco pelo menos umas 300 msicas de sua autoria. Eu gosto muito dos discos desconhecidos dele, j em relao s msicas O que ser e Vida so uma das minhas preferidas.

5. Quem so seus referenciais na msica alm de Chico Buarque?
Na msica meu pai, ele era um violonista incrvel e tinha uma forma prpria de tocar violo. Ele interpretava muito bem e isso no opinio s minha. Grandes nomes, como Ubiratan Sousa, concordam comigo. Alm do meu pai tem o Tom Jobim, Djavan, Caetano e Gilberto Gil.

6. Voc chegou a fazer shows na Itlia alguns anos atrs. Como foi cantar fora do Brasil? Como foi a receptividade do pblico?
Interessante que eu fui para Itlia para saber se realmente meu negocio era msica, sabe? Porque minha primeira filha estava na barriga da me naquela poca e um colega que convidou para ir para a Itlia trabalhar, l eu conheci uma pessoa que foi me ajudando a fazer show por l. Passei dois meses na Itlia, fiz cinco apresentaes l e uma dessas apresentaes foi no teatro de inverno. Foi maravilhoso, o local estava lotado e eu nunca fui to aplaudido em toda a minha vida como fui naquele lugar. Foi diferente.

7. Voc participou do espetculo Bicho Solto, Buriti Bravo em 1997. Como foi essa experincia?
Eu estava no Rio e fui apresentado diretora da pea, a Jlia Emlia, e fui convidado para fazer parte da banda. Era um musical infanto-juvenil. No inicio eu participei somente como msico, mas com o tempo fui me familiarizando com a pea e cheguei a fazer pequenas falas. Foram seis meses de apresentaes.

8. Qual a sua relao com Joo do Vale? Voc j tinha alguma msica dele no seu repertrio artstico?
Ele sempre foi uma referncia para mim, ele era diferente! Um cara brejeiro e refinado, se ver isso pelas msicas dele. Ele era muito inteligente mesmo sem ter tido a oportunidade de estudar. Morena do Groto de um requinte potico difcil de atingir. Eu cheguei a v-lo uma vez, mas ele j estava bem doente. Eu o achava uma figura muito simptica, at meio fanfarro (risos).

9. Como participar de um musical novamente depois de 20 anos?
L eu estava no papel de msico, j para Joo do Vale O Musical eu me inscrevi no intuito de ser msico, mas na verdade aqui eu tambm estou atuando. Eu no imaginava que eu voltaria a atuar novamente muito menos que iria interpretar o Chico. Engraado que eu vou interpretar o cara que tanto me inspirar. Se o Chico no vem a mim eu irei incorpor-lo (risos).

10. Voc j tinha participado de alguma audio antes?
Eu nunca tinha participado de uma audio na minha vida. Eu fico nervoso facilmente, at para d entrevista eu gaguejo (risos). Mas a gente aprende a dominar o nervosismo e na audio eu estava bem nervoso, cheguei at a esquecer de um pouco o texto, mas uma experincia diferente.

11. Como soube que havia sido selecionado?
Na noite anterior eu fui me deitar muito ansioso, queria logo saber o resultado. Ai minha esposa me acordou falando que eu tinha sido aprovado. Quando ela me falou que fui selecionado eu comprei umas cervejas e fui comemorar (risos).

12. Qual a sensao de participar de um espetculo como esse?
um presente para mim. Tudo se encaixou perfeitamente porque um musical. No se trata somente de um drama, talvez se fosse um drama eu no estivesse to vontade. E o Vinicis tambm ajuda muito, ele sabe conduzir e me deixar bem vontade. Como um espetculo sobre um cara da minha terra, tem a questo da semelhana de linguagem e cultura tambm.



Publicado em 02.06.2017